domingo, 16 de setembro de 2012


Saint Seiya Reboot
Capítulo 1 – Espuma do Mar

Vila de Kaihou, Japão. 10 de Julho de 2007

Mesmo sendo pequena em tamanho, a vila de Kaihou é uma cidade portuária que serve de ponte para importação e exportação com o continente. Grande parte de seus habitantes trabalham como comerciantes e ganham a vida com a população de marinheiros que ali param.

- Boa sorte, Hayate, eu volto aqui em três dias. – Gritou um homem que estava sobre um navio. Aparentava ter uns vinte anos, seu corpo estava repleto de cicatrizes e seu bronzeado era como o de alguém que passa a vida no mar. Era musculoso e possuía curtos cabelos castanhos.

- Ok! – Respondeu um garoto no porto acenando com seu braço. Estava vestindo com uma simples calça jeans e uma camisa vermelha, leve, de mangas longas. Seu cabelo era preto e um pouco longo. Seus olhos eram castanhos. Em suas costas carregava uma mochila e outra bolsa.

O navio em que estava o outro homem zarpava, estranhamente, só havia ele como tripulação, o que fez com que todos os outros por ali olhassem com estranheza o ato.

O garoto continuou andando, saindo das docas e chegando até o comércio da cidade. Estava bem movimentada, vários viajantes estavam ali comprando presentes, levando objetos danificados para serem consertados ou comendo em algum restaurante típico.

- Oh... – Disse admirado com a cena. – Que nostalgia em vir aqui...

Com tantos restaurantes lotados, o mesmo preferiu uma pequena barraca discreta ali entre tantas pessoas andando. Não havia nenhum outro cliente.

- Olá... – Avisou ao entrar. Sentou-se em um dos pequenos bancos de madeira que estavam ali.

A atendente era uma jovem moça de típicos traços asiáticos, longos cabelos pretos e lisos. Trajava roupas um pouco gastas, seu rosto e mãos também mostrava que trabalhava ali com esforço. 

- Bem vindo. – A garota o cumprimentou com um sorriso, embora ele parecesse forçado.

Ela o entregou o cardápio. Também um pouco velho, assim como o resto da barraca. 

- Eu quero este aqui... – Disse o garoto, apontando para um dos itens.

- Ah... – Ela estranhou o fato dele não falar em vós alta o pedido.

Ela mexeu por alguns minutos na cozinha, e de lá trouxe um prato de macarrão com sopa, juntamente de um par de hashi.

- Muito obrigado. – Agradeceu.

Ela sentou-se novamente em frente ao balcão, esperando mais clientes. Enquanto isso, observava o recém-chegado tentando manusear os “talhares” que havia recebido, aparentemente não sabia.

- Você... gostaria de um garfo? – Perguntou.

- Preferiria. – Respondeu.

Ela novamente foi até a cozinha, de lá trouxe um garfo e uma colher.

- Muito obrigado, novamente. – Agradeceu.

A garota novamente se sentou.

- Você por acaso não é daqui? – Perguntou ela.

- Daqui você diz onde? – Questionou o rapaz, logo após engolir uma garfada de sua massa.

- Japão.

- Então eu sou daqui. – Respondeu.

- Então por que... – Foi interrompida.

- Por que eu não consigo usar um par de palitinhos?

- É...

- Não piso em solo nipônico há... – colocou os talheres na mesa e começou a contar números em seus dedos. – Seis... Sete anos.

- Onde você mora então? – Perguntou.

- Eu tenho morado na Grécia desde então. – Respondeu, e novamente colocou uma garfada de macarrão em sua boca.

- E o que te traz até aqui de volta? – Perguntou, curiosa.

- Uma missão.

- Uma missão?

- Sim.

- Qual missão?

- Tenho que achar uma pessoa... – Respondeu. – E em falar nela, até acredito que você poderia me ajudar.

Ele retirou de uma de suas mochilas um pedaço de papel, o abril em cima do balcão. Aquilo se tratava de um mapa daquela região com um ponto marcado em vermelho.

- Você sabe algo sobre este lugar? – ele perguntou.

Ela olhou o mapa.

- O Templo de Otomegawa. – Respondeu ela.

- Sim, é este o lugar.

- Bem, há várias histórias que rondam este lugar. – Informou ela.

- Me conte tudo que souber. – Pediu.

- Bem, dizem que este templo é quase inacessível, e que trabalhando nele está apenas um monge. – Respondeu. – Vários chegam até lá, muitas vezes aqueles que se perdem na floresta são acolhidos pelo tal monge, mas ele não deixa ninguém ficar mais do que dois dias, e também não aceita discípulos.

- Interessante... Conte-me mais...

- Infelizmente isso é tudo que eu sei...

- Erh... – Ele ficava sem graça. – Obrigado mesmo assim.

- Desculpe-me não saber mais. – Disse envergonhada.

- Não, não, não, não precisa ficar assim. – Ele ficou sem graça novamente. – Agradeço muito pela sua informação, quanto foi o macarrão?

- 600 ienes. – Respondeu ela.

Ele colocou as mãos em seus bolsos, e após isso olhou para ela com uma face extremamente envergonhada. 

- Bem, eu poderia pagar em euros? – Perguntou.

- Bem... – Ela pensou um pouco. – Tudo bem...

Ele tirou do bolso uma nota de cinco euros e algumas moedas.

- Aqui devem ter uns 700 ienes. – Informou.

- Acho que... obrigada – Respondeu recolhendo o dinheiro.

- Obrigado por tudo, e desculpe-me a confusão com o dinheiro. – Despediu o garoto.

- Boa sorte na sua missão. – A garota se despediu.

Ele se retirou da pequena cidade costeira rumo às florestas do norte.

A garota, dona da pequena barraca, recolheu a tigela e os talheres e os levou até a cozinha, onde começou a lavá-los.

- Que garoto estranho... – Pensava ela, até porque era raro ela ter clientes. Estava passando por tempos de dificuldade.

Os pingos de chuva começaram a cair do lado de fora. O vento marítimo começou a soprar mais forte. O que era estranho, uma vez que o céu estava claro há poucos minutos atrás.

- Como assim está chovendo? – Ela fechou a torneira da pia, deixando a louça suja ali. Virou-se para olhar a estranha chuva.

Aquela pequena garoa já se tornara uma tempestade forte.

- O que está acontecendo? – Ela se perguntava.

Gritos começaram a ser ouvidos, juntamente com leves explosões. Aquilo com certeza é algo sobrenatural, a primeira coisa que passou por sua cabeça foi esconder-se por trás de sua pia.

Um homem trajando roupas de peles de animal chegou a olhar dentro de sua barraca, mas nada enxergou, e simplesmente ignorou.

- Nada aqui, Senhor Masame. – Informou aquele mesmo homem.

Do lado de fora estava um exército de homens trajando aquelas mesmas peles de animais, empunhando clavas em suas mãos direitas. Apenas um homem ali era diferente. Um alto homem com um uniforme azul de almirante. Aquele era quem foi chamado de Masame, possuía um longo cabelo loiro e uma pálida pele. O seu exército já havia destruindo praticamente todas as outras barracas e lojas por ali. Muitas vezes incendiando elas. Haviam no chão vários dos comerciantes, brutalmente assassinados.

- Destrua assim mesmo. – Ordenou Masame.

- Sim senhor. – O soldado seguindo as ordens, quebrou o balcão com sua clava.

- Kitsunebi.

A voz ecoou pelo corredor de destruição, chamas azuis circulavam ao redor do corpo daquele soldado, o impedindo de continuar a destruição.

- Gostaria que parassem com isso. – Aquele mesmo jovem retornou para a cidade.

A garota da pequena cozinha conseguia ver toda a cena por um buraco na madeira. Impressionou-se que apenas um jovem rapaz iria enfrentar todos aqueles homens.

- O que ele está fazendo? – Ela se questionou.

- Se você continuar com isso, seu corpo será incendiado. – Ameaçou o jovem, erguendo sua mão direita aberta em direção aquele soldado. Todos os outros permaneciam imóveis.

- Senhor Masame...? – Aquele soldado se virou para o seu mestre, como se perguntasse o que devesse fazer naquela situação. 

- Continue. – Respondeu friamente.

O soldado ergueu sua clava em direção ao que sobrou do balcão.

- Eu avisei... – Em um rápido movimento, ele fechou sua mão. Todo o fogo ao redor do soldado começava a consumir seu corpo, o fazendo cair.

- O que foi aquilo...? – A garota nunca viu nada igual. Ele simplesmente comandou a distância as chamas.

- O que és? – Perguntou Masame. – És um Marina ou Saint?

- Com esta pergunta creio que seja um Berserker de Ares, correto? – Questionou. – Pois bom, eu sou um Saint de Bronze, Hayate de Vulpecula!

O garoto finalmente se apresentava.

- Não estava em meus planos enfrentar um Saint aqui e agora. – Informou Masame. – Tropas, eu irei retornar a base, vocês cuidem deste insignificante.

- Sim! – As tropas responderam com um forte grito de guerra.

O homem vira as costas ao seu inimigo e lentamente retorna até as docas. Sobram ali cerca de 30 soldados. A fina e fria chuva continuava.

- Eu também não esperava encontrar inimigos nesta missão. – Afirmou Hayate. – Mas isso a torna apenas mais divertida!

Uma aura vermelha como sangue cobria seu corpo, e aos poucos aumentava.

- Vulpecula Cloth!

Aquela mesma energia vermelha foi movida para fora de seu corpo, se concentrando em sua frente. Ali é invocada uma estatueta de metal carmesim, possui a forma de um animal quadrúpede. Em uma visão mais atenta percebe-se que são placas separadas em cada parte daquela escultura.

- Atacar! – Aquele que estava mais a frente anunciava com um grito de guerra o ataque, aquelas tropas avançavam contra ele.

Aquela estatueta que estava a sua frente se desmontava em várias pequenas peças que cobriam o corpo de Hayate. Mais especificamente: O seu tórax, os dois ombros, os antebraços, a cintura, os joelhos, pernas, e em sua cabeça apenas uma diadema que cobre sua testa. Tudo isso foi acompanhado de uma explosão de calor. Aproximadamente cinco dos soldados já haviam sido atingidos por elas.

- Eu quero acabar com isso logo... – Afirmou Hayate, ele ajoelhou e cravou suas duas mãos no solo molhado.

A energia vermelha voltava a cobrir seu corpo, e emanavam tomando a forma de nove colunas de chamas carmesins.

- Kyuugen no Honoo! – Exclamou ele.

As nove colunas de chamas tomavam a forma de dragões, e como animais vorazes devoraram o corpo de todos aqueles soldados. No final, não sobrou qualquer inimigo vivo naquela cidade.

- ...Acho que eu não devia usar mais este golpe... – Sussurrou Hayate, que desmaiou no chão molhado.

Retirando destroços de sua frente, a garota dona da pequena barraca correu até o corpo caído de seu salvador.