terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Omega - 01


Seis meses se passaram após a violenta guerra contra Marte. Tempos de paz trouxeram uma nova era ao santuário. Palaestra reconstruída ainda funciona como uma forma de alistamento e treinamento de novos Cavaleiros. Kouga, Aria e o seus companheiros de batalha tem seu descanso merecido.

Planícies de Atenas, nas redondezas do Santuário. Um dos poucos lugares não rochosos na região, pequenos lagos e riachos fazem com que a vegetação permaneça verde por praticamente todo o ano. Aria anda descalça, sentido a grama em seus pés, admira o Sol, as flores, realmente como uma criança.

         - Aria... – Sussurra Kouga, que estava há alguns metros da jovem deusa.

Ainda um pouco mais distantes estavam os outros quatro Cavaleiros de Bronze com quem o novo Pégaso atravessou os doze templos, Souma, Yuna, Ryuhou e Haruto, todos silenciosos. A fresca brisa banhava seus corpos.

         - Aria! – Kouga gritou, a chamando atenção.

         - Kouga...? – Se virou.

         - Não vá muito longe! – Ele respondeu.

Yuna se aproximou, posicionando sua mão no ombro de seu amigo.

         - Não há necessidade de tratá-la como uma criança que irá se perder. – Disse a Amazona sorrindo. – Você está sendo superprotetor. – Acrescentou.

Kouga forçou seu punho.

         - Depois de tudo que ela... não só ela, como nós, passamos, você não teme perdê-la novamente? – Questionou Kouga, em voz baixa.

         - É óbvio que sim, Kouga. – A garota respondeu, num tom mais alto do que a foi perguntada. – Assim como eu temo perder qualquer um de vocês.

Kouga nada mais respondeu, permaneceu em silêncio. E assim a quietude foi mantida por alguns mais minutos. Aria continuava brincando no gramado, observava de perto as flores, os pequenos animais que ali habitavam.

         - Deixe-a aproveitar o que não pode enquanto estava sobre o domínio de Marte. – Yuna adicionou.

Em poucos segundos a temperatura do ar se alterou. A temperatura amena logo se torna um mormaço. Algumas plantas ao redor morriam, devagar, eram desidratas.

         - O que é isso?! – Kouga exclamou.

Souma, Haruto e Ryuhou se aproximaram dos outros dois.

         - Este cosmo... – Ryuhou sussurrou.

         - Não é um cosmo amigável. – Souma acrescentou.

         - Não baixem a guarda! – Orientou Haruto, assumindo uma posição defensiva, assim como os outros quatro.

         - Aria! Venha para cá! – Kouga a ordenou.

         - Kouga... – Aria respondeu, com sua voz fraca. Mas algo estava entre eles.

Um fortíssimo turbilhão de energia negra se forma entre os personagens. Um jovem de mesma estatura que os Cavaleiros emerge do vórtice. Seus cabelos são longos e compridos, um pouco arrepiados. Traja uma roupa nobre vermelha por baixo de um longo sobretudo escuro. Sua face lembra bastante o rosto de Kouga.

         - Chroma! – Ryuhou gritou espantado. Aparentemente conhecia aquela figura.

         - Sem dúvidas, é o Chroma! – Souma concordou.

         - Mas o que ele faz aqui? – Haruto questionou.

         - Quem é ele? – Kouga perguntou.

         - Chroma... – Respondeu Yuna. – Ele foi estudante em Palaestra até pouco tempo antes de você entrar. Era sem dúvidas um dos mais fortes Cavaleiros de lá!

         - Não esperava rever vocês depois que fui expulso de Palaestra. – Disse o jovem, Chroma.

         - Expulso? – Kouga se questionou mentalmente. – O que ele poderia ter feito que o levou a ser expulso?

Chroma ergueu seu braço direito. Os cinco Cavaleiros logo assumiram uma posição defensiva.

         - Está vindo! – Exclamou Yuna.

         - Nightmare Shounetsu Jigoku! – Chroma exclamou.

O forte calor se intensificou. Ventos de chamas e sombras foram arremeçados contra os Cavaleiros. Apenas Kouga conseguiu manter-se de pé, os outros foram arremessados há metros de distância.

         - Mas que poder... – Afirmou Souma.

         - É como se Chroma dominasse o sétimo sentido... – Ryuhou acrescentou.

         - Não me importo quem você seja! – Exclamou Kouga, ao tomar uma posição mais ofensiva. – Se você sequer ousar tocar um dedo em Aria...

         - Você fará o quê? – Chroma questionou.

Kouga não respondeu, mas a raiva estava estampada em seu rosto.

         - Pegasus Cloth! – Kouga gritou. O seu pingente brilhou com intensa luz, adquirindo a forma de um pégaso que cobriu seu corpo completamente, se tornando sua clássica armadura.

         - Então quer resistir, Pégaso? – Chroma perguntou retoricamente.

Ele retirou de um dos bolsos de seu sobretudo uma carta retangular, nela estava estampado um homem em uma viga sendo guiada por dois cavalos em chamas.

         - Mas o que é isso? – Perguntou Kouga.

         - Nightmare Crest. – Chroma sussurrou. A carta brilhou com uma intensa luz negra que assumiu a forma de um cavalo de mesma cor. Assim como em Kouga, o cavalo cobre o corpo de Chroma formando uma armadura cor de ébano. Os maiores detalhes de sua armadura eram em vermelho, lembravam chamas. No geral lembrava a armadura de Pégaso de seu adversário.

         - Uma carta... – Haruto perguntou. – E não uma Cloth Stone?

         - Eu não sou mais o Chroma que vocês conheciam. – Afirmou. – Eu sou agora o Arcana Sétimo, o Carro, Chroma de Pesadelo.

         - Arcana? – Pégaso se perguntou.

         - Não fará diferença você saber, Bronze. – Respondeu.

Kouga já estava sem o mínimo de paciência. Avançou com seu punho em luz contra o corpo de seu adversário.

         - Pegasus Ryuuseiken! – Exclamou. Kouga disparou centenas de lampejos em segundo.

         - Inútil! – Exclamou. – Nightmare Kaenken!

O punho de Chroma brilhou em fogo negro. Em uma velocidade incrível ele conseguiu desviar dos microgolpes disparados por Kouga e acertá-lo na barriga, o fazendo cuspir uma pequena quantidade de sangue.

         - Argh... – Lamentou Kouga em dor.

         - Kouga! – Yuna exclamou em preocupação. Levantou-se, assim como os demais Cavaleiros.

         - Aquila Cloth!

         - Dragon Cloth!

         - Lionet Cloth!

         - Wolf Cloth!

Os quatro exclamaram, invocando assim suas respectivas armaduras. Se preparando para ajudar seu companheiro.

         - Não pensem nisso. – Uma voz ecoou pelos campos recém queimados.

Outro turbilhão de energia negra surge e desta vez entre os quatro Cavaleiros de Bronze e Kouga. Emergindo das trevas está um homem mais alto, com as mesmas vestimentas de Chroma. Sua pele era bem pálida, seus olhos vermelhos como sangue e seu cabelo prateado como a lua.

         - Não posso permitir que atrapalhem... – Afirmou ele.

Assim como seu parceiro, ele retirou de seu bolso uma carta, estampado nela estava a figura de um jovem cuja mão direita segurava um caduceu e em sua mão esquerda uma espada.

         - Outro deles...! – Souma retrucou.

         - Chimaera Crest. – Disse o homem. A carta brilhou com intensa luz, materializando uma besta flamejante tricefála, com uma cabeça de leão, uma de cabra saindo de suas costas e uma de serpente ao fim de sua cauda. Ao cobrir o corpo de seu usuário, se transformou em uma armadura. A armadura era cor de vermelho sangue, em seus braços eram enroscados serpentes, sua máscara lembrava o rosto de um leão, suas ombreiras, rotos de cabras. Em suas costas, um par de asas membranosas como a de um morcego. Carregava em sua mão direita um caduceu como o do deus Hermes, um cetro dourado com duas serpentes em espiral, em sua mão direita, uma espada também dourada, cuja haste era ornamentada por uma corrente terminada em uma moeda áurea.

         - Quem são vocês?! – Yuna questionou.

         - Eu me chamo Bellerophon. – Se apresentou. – Bellerophon de Quimera, o Arcana Primeiro, o Mago.

         - Arcana, novamente?! – Ryuhou perguntou.

         - Saia da frente! – Souma avançou, agindo impulsivamente, seu corpo era banhado em chamas. – Lionet Bomber!

         - Não tentem passar por cima de mim! – Exclamou Bellerophon, erguendo seu caduceu aos céus. Duas serpentes formadas exclusivamente por cosmo de água se formaram, estrangulando o corpo de Souma, impedindo seu golpe.

         - Seu... maldito... – Souma sussurrou em dor.

         - Elemento água... – Haruto notificou. – Então acredito que um golpe de terra será mais efetivo! Juumonji Ganseki Kuzushi!

Haruto invocou cinco estrelas de quatro pontas do solo, formadas inteiramente por terra e rochas, e as arremessou contra as duas serpentes que prendiam seu amigo.

         - Não acredite que isso surtirá efeito! – Exclamou o guerreiro, dessa vez erguendo sua espada e com um brandir criou uma ventania tão forte como a de uma tempestade, dissipando completamente o golpe do Cavaleiro Ninja.

         - Mas o quê?! – Haruto recrutou. – Você também usa elemento vento?

         - Não vou deixar que fira meus amigos! – Exclamou Ryuhou.

         - Você nos deixará passar, nem que te obriguemos a ajoelhar a nós! – Gritou Yuna. – Aquila Spinning Predation!

         - Rozan Shoryuuha!

Os respectivos golpes de fortes ventanias e de ondas de água se uniam em um único turbilhão, caminhando em direção ao adversário.

         - É inútil continuarem!

Erguendo sua espada com sua lâmina posicionada para baixo, ele a cravou no chão, fazendo com que uma muralha de pedra se erguesse, bloqueando completamente o golpe em conjunto dos dois Cavaleiros.

         - Terra também?! – Disse Ryuhou espantado.

         - Não há mais porque ficarem surpresos! – Bellerophon novamente ergueu seu caduceu. – Sulfur Inferno.

Um fortíssimo incêndio se iniciou com o Arcana em seu centro. Fazendo com que Ryuhou, Yuna e Haruto sejam arremessados ainda mais para trás, se distanciando de Kouga. Após o ataque cessar, Souma é jogado para a companhia dos outros quatro.

Enquanto a luta entre os cinco era travada, a luta entre Chroma e Kouga continuava. Embora o controle esteja com o primeiro.

         - Nightmare Kaenken! – Chroma anunciou o seu ataque, deferindo outro golpe contra Kouga, que é jogado caído no chão - Agindo de forma tão passional nunca irá me derrotar, Cavaleiro.

         - Não me diga como agir! – Kouga ergueu-se, o seu cosmo de luz brilhou intensamente, e logo em seguida, concentrado em seu punho direito. – Pegasus Suiseiken.

Toda a energia de Kouga foi arremessada na forma de apenas um feixe de luz. O adversário, com apenas sua mão esquerda, o mantém em sua mão.

         - Como isso é possível? – Kouga questionou.

A esfera de luz que Chroma possui em mãos logo se tornou negra como suas chamas, atirando de volta contra o Cavaleiro.

         - Nightmare Moukaken! – Gritou.

A esfera escura atinge o corpo de Kouga, o lançando alguns metros em outra direção. Aria, que estava o tempo inteiro paralisada pelo medo neste momento se levanta.

         - Pare! – Ordenou.

         - Não pense que estou sujeita a suas ordens. – Chroma responeu.

         - Aria... – Kouga retrucou, se levantando devagar.

         - Não permitirei mais isso! – Aria gritou decisiva. Seu cosmo de luz brilhou muito intensamente, apagando todas as chamas que haviam sido criadas naquelas lutas, restaurando o solo danificado.

         - Que belíssima luz... – Afirmou Chroma. – Tyche ficará satisfeita...

         - Tyche? – Kouga se perguntou.

O cosmo escuro de Chroma se expande tão fortemente quanto o de Aria, o tomando por parte.

         - Você pode ser uma deusa... – O guerreiro afirmou. – Mas até deusas sentem medo.

Nenhum expectador externo soube o que aconteceu neste momento, mas o cosmo de Aria parou. Seus olhos não demonstravam mais emoções, estava imóvel, como um boneco.

         - Aria! – Kouga exclamou, tentando se levantar.

         - Vamos nos retirar, senhorita Pandia. – Disse Chroma, criando outro vórtice assim como o que ele apareceu. Desta vez, levava Aria consigo. Seu parceiro, Bellerophon, desapareceu também.

         - Kouga! – Yuna exclamou ao ver o Cavaleiro caído no chão.

Ela se levantou e aproximou de seu corpo, Kouga derramou lágrimas no chão.

         - Aria... – Retrucou. – Aria foi...

Yuna também derramou algumas lágrimas, mas diferentemente de Kouga, parecia estar um pouco mais racional.

         - Kouga... – Disse ela silenciosamente. – Não importa o que acontecer, nós recuperaremos Aria...



Arcana VII (Sétimo)
The Chariot, Nightmare Chroma (戦車紋(ザ・チャリオット)ナイトメアの黒馬)
O Carro, Chroma de Pesadelo
The Chariot (O Carro): É associado a vitória, a luta, a guerra, ao controle, ao comando. Astrologicamente associado ao signo de Câncer. Mitologicamente ao deus Ares/Marte.
Nightmare (Pesadelo): O Pesadelo é um monstro que apareceu primeiramente no jogo “Dungeon & Dragons”. É um cavalo de fogo infernal.
Chroma: Palavra de origem grega relacionada a palavra “Cor”. Seu nome na verdade é escrito com ideogramas, Kuro e Ma, que significam, respectivamente, “Preto, Negro” e “Cavalo”. Portanto, seu nome significa Cavalo Negro.
Golpes:
 - Nightmare Kaenken (ナイトメア火炎拳) = Punho Flamejante do Pesadelo
 - Nightmare Moukaken (ナイトメア猛火拳) = Punho Infernal do Pesadelo
 - Nightmare Shounetsu Jigoku (ナイトメア焦熱地獄) = Inferno Ardente do Pesadelo

Arcana I (Primeiro)
The Magician, Chimaera Bellerophon (魔術師紋(ザ・マジシャン)キマイラのベレロポーン)
Bellerophon de Quimera
The Magician (O Mago): É associado a manipulação e a auto-estima. Astrologicamente é associado ao planeta Mercúrio, assim como aos quatro elementos. Mitologicamente ao deus Hermes/Mercúrio, assim como ao seu símbolo, o caduceu.
Chimaera (Quimera): Monstro mitológico grego. Possuía corpo e cabeça de um leão, de suas costas emerge a cabeça de uma cabra, e ao fim de sua cauda escamosa se localiza sua terceira cabeça, a de uma serpente. Podia cuspir fogo.
Bellerophon (Belerofonte): O nome do mítico herói que derrotou o monstro Quimera com auxílio do cavalo alado Pégaso.
Golpes:
 - Sulfur Inferno (サルファーインフェルノ) = Inferno de Enxofre

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