quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Omega 02


Ao fim das doze casas do Zodíaco se localiza uma construção grandiosa, o salão do Grande Mestre, o Sumo Sacerdote a serviço de Atena. Porém, na ausência deste, a atual encarnação da deusa senta-se em seu trono para comandar suas tropas. Saori Kido assume a frente junto com os cinco Cavaleiros de Bronze que há vinte e seis anos a salvaram, Seiya, Shiryu, Shun, Hyoga e Ikki.

Esta sela é restrita, logo pouquíssimos nela podem entrar. Mas exceções são feitas para a nova geração de guerreiros que protegeram a Terra de ser destruída por Marte há menos de um ano. Aparentemente, eles possuem um passe livre para atravessar todo o Santuário.

Neste exato momento, no Salão estão apenas Saori e quatro de seus cavaleiros, com a ausência de Ikki. Seiya trajava armadura de ouro de Sagitário, Hyoga e Shun suas respectivas armaduras de bronze de Cisne e Andrômeda, Shiryu estava vestido com roupas comuns.

Os portões se abriram bruscamente, a figura de Kouga entrou pela sala, ofegante, seus olhos estavam avermelhados, seu rosto molhado. Seu rosto estava estampado de preocupação e desespero. A entrada imprevista chamou atenção dos presentes.

         - Kouga... – Disse Seiya, olhando para o seu sucessor.

         - Seiya... Saori... – Respondeu Kouga ofegante, ainda não conseguia falar.

         - O que aconteceu, Kouga? – Respondeu Saori, levantando-se de seu trono e se aproximando do Cavaleiro que criou como um filho.

         - Aria... A Aria... – Sua respiração não o deixava falar, tentou ao máximo se acalmar para contar tudo. – A Aria foi levada!

         - Aria... foi levada? – Seiya questionou.

Aparentemente os Cavaleiros não demonstraram tanta preocupação quanto o jovem. Trocaram olhares.

         - Quem foi que fez isso? – Shun o interrogou.

         - Eu não sei direito... – Respondeu. – Sei que um deles se chama Chroma, e foi um aluno de Palaestra... Ele se chamou de... acho que... Arcana.

         - Arcana? – Disse Hyoga como se já tivesse ouvido este nome.

         - Então nossas suspeitas estavam corretas. – Completou Shiryu.

         - Seiya. – Disse Saori, erguendo seu corpo, olhando para trás. – Não há tempo a perder, devemos agir.

Seiya, assim como os demais, continuaram em silêncio, mas todos concordaram com a cabeça.

         - Shiryu, Hyoga, venham conosco. – Ordenou a deusa. – Shun, peço-lhe que fique aqui.

         - Sem problemas, Saori... – Shun respondeu, enquanto os outros dois, acompanhado do Matador de Deuses e de Atena, saíram pelas portas do Santuário, se encontrando com os outros quatro cavaleiros de Bronze que acompanhavam Kouga, entrando.

         - Espere... – Disse Yuna, ao vê-los sair. – Onde vocês vão?

         - Pai? Senhor Hyoga? – Ryuhou questionou a eles.

         - Fiquem aqui. – Foi tudo o que Seiya disse, os outros dois mantiveram o silêncio.

         - Mas o que está acontecendo aqui? – Souma exclamou.

Os portões se fecharam. Apenas os seis estavam ali dentro.

         - Senhor Shun! – Haruto exclamou. – Por que vocês não nos respondem?

Shun virou-se de costas, continuou em silêncio por alguns segundos.

         - Senhor Shun! – Desta vez foi Ryuhou quem gritou.

         - Eles ainda se sentem culpados. – Respondeu.

         - Culpados...? – Yuna questionou.

         - Para eles, o fato de vocês terem enfrentado Marte, os Cavaleiros de Ouro, foi culpa nossa. Nós deixamos que vocês enfrentassem as batalhas que eram nossa responsabilidade...

         - Não seja tolo, Senhor Shun! – Ryuhou respondeu. – Não é o dever de todo Cavaleiro defender Atena?

         - Sim, Ryuhou... – Shun se virou novamente, ficando de frente para os cinco. – Você está certo. Mas eles não querem que vocês arrisquem suas vidas...

         - Não importa! – Kouga interrompeu, recuperou seu fôlego. – Não importa o que Seiya ou Saori diga, eu vou lutar!

         - Não vou impedi-los, aliás, sequer posso fazer isso...

         - Mas Senhor Shun! – Yuna o chamou. – Pelo menos pode explicar para nós o que está acontecendo?

O Cavaleiro de Andrômeda fechou seus olhos, consentiu.

         - Seiya e os outros pediram para eu não contar, mas acredito que é errado esconder essa história de vocês... – Ele virou-se novamente, se aproximando do trono.

         - Como vocês devem saber, depois de nossa batalha contra Hades há mais de vinte anos atrás, os exércitos de Atena estavam quase que completamente aniquilados... Nenhum Cavaleiro de Ouro restava...

         - E foi para isso que vocês fundaram Palaestra, certo? – Souma respondeu.

         - Sim, mas antes disso, nós precisávamos de auxílio. Uma deusa, chamada Tyche, nos ofereceu esta ajuda. Ela sempre foi neutra em relação as guerras que aconteciam entre os outros deuses e possuía sobre sua disposição vinte e dois soldados, com poderes tão grandes quanto Cavaleiros de Ouro.

         - Mas então se ela ajudou Atena, porque estão nos atacando agora?! – Kouga exclamou, assumindo uma posição agressiva.

         - Espere, Kouga. – Respondeu Shun. – Aconteceu muito mais coisa entre estes eventos...

         - Por favor, continue Senhor Shun! – Ryuhou pediu.

         - Tyche e seus guerreiros ajudaram Atena a proteger o Santuário, assim como a construir Palaestra... Logo sua ajuda não foi mais necessária. Mas há um detalhe nesta história. Tyche é diferente de Atena, que a cada duzentos anos surge em um corpo na Terra. Tyche é mais próximo de um título do que uma entidade. O nome Tyche é passado a uma jovem garota assim que a anterior vem a falecer...

         - Então esta Tyche que nos atacou agora...? – Yuna indagou.

         - Sim, a Tyche que ajudou Atena morreu recentemente, e uma nova foi eleita. Esta não aceitava de forma alguma as relações entre seu exército e o Santuário. Aparentemente entraremos em Guerra nós próximos dias...

         - E para que eles querem a Aria?! – Kouga retrucou.

Shun se virou novamente. Olhou nos olhos do Pégaso.

         - Desculpe, mas isso é tudo que eu sei...

         - Não se desculpe, Senhor Shun. – Respondeu Ryuhou. – Apenas não peça para nós não tentarmos.

         - Pelo menos esperem Seiya e os outros voltarem antes de qualquer coisa. – Shun pediu a eles. – Eles foram tentar resolver pacificamente esta batalha.

Nenhum dos cinco falou nada, mas concordaram.

         - Espero que entendam... – Pensou Shun.

Enquanto isso, na entrada das escadarias que levavam à primeira casa do Zodíaco, a casa de Áries, seis homens completamente cobertos por mantos negros adentram no solo divino. Em minutos chegaram no piso do templo. Eram recepcionados por um enorme gramado e um bosque.

         - Vocês, intrusos, desistam de passar. – A voz ecoou pelas árvores.

         - Apresente-se, Cavaleiro de Ouro, você será o meu adversário. – Disse um dos homens.

Do interior do templo, um homem ruivo trajando uma armadura dourada se aproxima das estranhas figuras.

         - Meu nome é Kiki de Áries, sou o Cavaleiro de Ouro que governa o Renascimento e a Sutileza. Não posso permitir que vocês passem por aqui. – Disse ele.

         - Deixe meus companheiros passarem, lutemos só nos dois. – Respondeu o que havia falado antes.

         - Se eles conseguirem. – Respondeu Kiki. – Permito que eles passem.

O homem retirou seu manto, vestia o mesmo uniforme que aqueles que sequestraram Aria vestiam. Seu rosto possuía traços orientais, seu cabelo era espetado, possuía barba e bigode. Aparentemente deveria ter por volta de trinta anos.

         - The... Emperor’s... Spear... – Ajoelhou-se e colocou sua mão no solo, ao recitar tais palavras, ele retirou de lá um enorme bastão feito de luz verde, sem danificar o chão, logo em seguida o arremessou como um dardo contra o Cavaleiro.

Kiki sequer moveu um músculo contra o ataque. Aquele projétil simplesmente parou no ar em sua frente, como se tivesse ficado preso em algo. A luz se dissipou, o projétil se mostrou na verdade feito inteiramente de madeira.

         - Crystal Wall. – Respondeu ele. – Se querem passar por aqui terão de quebrar este muro invisível.

         - Não será um problema. – Repetiu o guerreiro. – The... Emperor’s... Roots!

A mesma energia que formou a lança que arremessou entrelaçou em seu braço como trepadeiras. A luz brilhou intensamente como um clarão verde. O guerreiro saltou em imensa velocidade, e com o punho, socou a lança que já estava cravada na barreira invisível. O som de vidro quebrando se espalhou pelos arredores, havia sido perfurado completamente pela lança.

         - Quebrou a Crystal Wall... – Kiki refletiu. – Ele está sem dúvida no nível de um Cavaleiro de Ouro...

         - Agora, Cavaleiro, deixe meus companheiros passarem, como prometido. – Indagou.

         - Não irei quebrar minha promessa, que eles passem... – Kiki consentiu.

Os cinco outros homens encapuzados sobem as escadas, e ignorando o seu protetor, avançam, restando apenas os dois guerreiros no campo de batalha.

         - Então, lutemos. – Kiki o convidou para a batalha.

         - Não se preocupe com isso... – O Guerreiro tirou de seu bolso uma carta como as anteriores, essa era ilustrada com um homem sobre um trono dourado. – Barometz Crest!

Com a sua exclamação, a carta brilhou em uma forte energia verde, assumindo a forma de um gigantesco carneiro, que ao invés de cornos, era ornamento com galhos como os de uma árvore. A figura cobriu o corpo de seu invocador, formando uma armadura parcialmente marrom, com partes em verde. Seus maiores detalhes eram seus elmos, que lembravam os chifres de um cordeiro. Suas ombreiras, antebraços e joelhos lembravam folhas.

         - Meu nome é Khan de Barometz, o Arcana Quarto, o Imperador. – Se apresentou. – E eu serei o seu adversário!


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