Ao
fim das doze casas do Zodíaco se localiza uma construção grandiosa, o salão do
Grande Mestre, o Sumo Sacerdote a serviço de Atena. Porém, na ausência deste, a
atual encarnação da deusa senta-se em seu trono para comandar suas tropas.
Saori Kido assume a frente junto com os cinco Cavaleiros de Bronze que há vinte
e seis anos a salvaram, Seiya, Shiryu, Shun, Hyoga e Ikki.
Esta
sela é restrita, logo pouquíssimos nela podem entrar. Mas exceções são feitas
para a nova geração de guerreiros que protegeram a Terra de ser destruída por
Marte há menos de um ano. Aparentemente, eles possuem um passe livre para
atravessar todo o Santuário.
Neste
exato momento, no Salão estão apenas Saori e quatro de seus cavaleiros, com a
ausência de Ikki. Seiya trajava armadura de ouro de Sagitário, Hyoga e Shun
suas respectivas armaduras de bronze de Cisne e Andrômeda, Shiryu estava
vestido com roupas comuns.
Os
portões se abriram bruscamente, a figura de Kouga entrou pela sala, ofegante,
seus olhos estavam avermelhados, seu rosto molhado. Seu rosto estava estampado
de preocupação e desespero. A entrada imprevista chamou atenção dos presentes.
- Kouga... – Disse Seiya, olhando para
o seu sucessor.
- Seiya... Saori... – Respondeu Kouga
ofegante, ainda não conseguia falar.
- O que aconteceu, Kouga? – Respondeu
Saori, levantando-se de seu trono e se aproximando do Cavaleiro que criou como
um filho.
- Aria... A Aria... – Sua respiração
não o deixava falar, tentou ao máximo se acalmar para contar tudo. – A Aria foi
levada!
- Aria... foi levada? – Seiya
questionou.
Aparentemente
os Cavaleiros não demonstraram tanta preocupação quanto o jovem. Trocaram
olhares.
- Quem foi que fez isso? – Shun o
interrogou.
- Eu não sei direito... – Respondeu. –
Sei que um deles se chama Chroma, e foi um aluno de Palaestra... Ele se chamou
de... acho que... Arcana.
- Arcana? – Disse Hyoga como se já
tivesse ouvido este nome.
- Então nossas suspeitas estavam
corretas. – Completou Shiryu.
- Seiya. – Disse Saori, erguendo seu
corpo, olhando para trás. – Não há tempo a perder, devemos agir.
Seiya,
assim como os demais, continuaram em silêncio, mas todos concordaram com a
cabeça.
- Shiryu, Hyoga, venham conosco. –
Ordenou a deusa. – Shun, peço-lhe que fique aqui.
- Sem problemas, Saori... – Shun
respondeu, enquanto os outros dois, acompanhado do Matador de Deuses e de
Atena, saíram pelas portas do Santuário, se encontrando com os outros quatro
cavaleiros de Bronze que acompanhavam Kouga, entrando.
- Espere... – Disse Yuna, ao vê-los
sair. – Onde vocês vão?
- Pai? Senhor Hyoga? – Ryuhou
questionou a eles.
- Fiquem aqui. – Foi tudo o que Seiya
disse, os outros dois mantiveram o silêncio.
- Mas o que está acontecendo aqui? –
Souma exclamou.
Os
portões se fecharam. Apenas os seis estavam ali dentro.
- Senhor Shun! – Haruto exclamou. – Por
que vocês não nos respondem?
Shun
virou-se de costas, continuou em silêncio por alguns segundos.
- Senhor Shun! – Desta vez foi Ryuhou
quem gritou.
- Eles ainda se sentem culpados. –
Respondeu.
- Culpados...? – Yuna questionou.
- Para eles, o fato de vocês terem
enfrentado Marte, os Cavaleiros de Ouro, foi culpa nossa. Nós deixamos que
vocês enfrentassem as batalhas que eram nossa responsabilidade...
- Não seja tolo, Senhor Shun! – Ryuhou
respondeu. – Não é o dever de todo Cavaleiro defender Atena?
- Sim, Ryuhou... – Shun se virou
novamente, ficando de frente para os cinco. – Você está certo. Mas eles não
querem que vocês arrisquem suas vidas...
- Não importa! – Kouga interrompeu,
recuperou seu fôlego. – Não importa o que Seiya ou Saori diga, eu vou lutar!
- Não vou impedi-los, aliás, sequer
posso fazer isso...
- Mas Senhor Shun! – Yuna o chamou. –
Pelo menos pode explicar para nós o que está acontecendo?
O
Cavaleiro de Andrômeda fechou seus olhos, consentiu.
- Seiya e os outros pediram para eu não
contar, mas acredito que é errado esconder essa história de vocês... – Ele
virou-se novamente, se aproximando do trono.
- Como vocês devem saber, depois de
nossa batalha contra Hades há mais de vinte anos atrás, os exércitos de Atena
estavam quase que completamente aniquilados... Nenhum Cavaleiro de Ouro
restava...
- E foi para isso que vocês fundaram
Palaestra, certo? – Souma respondeu.
- Sim, mas antes disso, nós
precisávamos de auxílio. Uma deusa, chamada Tyche, nos ofereceu esta ajuda. Ela
sempre foi neutra em relação as guerras que aconteciam entre os outros deuses e
possuía sobre sua disposição vinte e dois soldados, com poderes tão grandes
quanto Cavaleiros de Ouro.
- Mas então se ela ajudou Atena, porque
estão nos atacando agora?! – Kouga exclamou, assumindo uma posição agressiva.
- Espere, Kouga. – Respondeu Shun. –
Aconteceu muito mais coisa entre estes eventos...
- Por favor, continue Senhor Shun! –
Ryuhou pediu.
- Tyche e seus guerreiros ajudaram
Atena a proteger o Santuário, assim como a construir Palaestra... Logo sua
ajuda não foi mais necessária. Mas há um detalhe nesta história. Tyche é
diferente de Atena, que a cada duzentos anos surge em um corpo na Terra. Tyche
é mais próximo de um título do que uma entidade. O nome Tyche é passado a uma
jovem garota assim que a anterior vem a falecer...
- Então esta Tyche que nos atacou
agora...? – Yuna indagou.
- Sim, a Tyche que ajudou Atena morreu
recentemente, e uma nova foi eleita. Esta não aceitava de forma alguma as
relações entre seu exército e o Santuário. Aparentemente entraremos em Guerra
nós próximos dias...
- E para que eles querem a Aria?! –
Kouga retrucou.
Shun
se virou novamente. Olhou nos olhos do Pégaso.
- Desculpe, mas isso é tudo que eu
sei...
- Não se desculpe, Senhor Shun. –
Respondeu Ryuhou. – Apenas não peça para nós não tentarmos.
- Pelo menos esperem Seiya e os outros
voltarem antes de qualquer coisa. – Shun pediu a eles. – Eles foram tentar
resolver pacificamente esta batalha.
Nenhum
dos cinco falou nada, mas concordaram.
- Espero que entendam... – Pensou Shun.
Enquanto
isso, na entrada das escadarias que levavam à primeira casa do Zodíaco, a casa
de Áries, seis homens completamente cobertos por mantos negros adentram no solo
divino. Em minutos chegaram no piso do templo. Eram recepcionados por um enorme
gramado e um bosque.
- Vocês, intrusos, desistam de passar.
– A voz ecoou pelas árvores.
- Apresente-se, Cavaleiro de Ouro, você
será o meu adversário. – Disse um dos homens.
Do
interior do templo, um homem ruivo trajando uma armadura dourada se aproxima
das estranhas figuras.
- Meu nome é Kiki de Áries, sou o
Cavaleiro de Ouro que governa o Renascimento e a Sutileza. Não posso permitir
que vocês passem por aqui. – Disse ele.
- Deixe meus companheiros passarem,
lutemos só nos dois. – Respondeu o que havia falado antes.
- Se eles conseguirem. – Respondeu
Kiki. – Permito que eles passem.
O
homem retirou seu manto, vestia o mesmo uniforme que aqueles que sequestraram
Aria vestiam. Seu rosto possuía traços orientais, seu cabelo era espetado,
possuía barba e bigode. Aparentemente deveria ter por volta de trinta anos.
- The... Emperor’s... Spear... –
Ajoelhou-se e colocou sua mão no solo, ao recitar tais palavras, ele retirou de
lá um enorme bastão feito de luz verde, sem danificar o chão, logo em seguida o
arremessou como um dardo contra o Cavaleiro.
Kiki
sequer moveu um músculo contra o ataque. Aquele projétil simplesmente parou no
ar em sua frente, como se tivesse ficado preso em algo. A luz se dissipou, o
projétil se mostrou na verdade feito inteiramente de madeira.
- Crystal Wall. – Respondeu ele. – Se
querem passar por aqui terão de quebrar este muro invisível.
- Não será um problema. – Repetiu o
guerreiro. – The... Emperor’s... Roots!
A
mesma energia que formou a lança que arremessou entrelaçou em seu braço como
trepadeiras. A luz brilhou intensamente como um clarão verde. O guerreiro
saltou em imensa velocidade, e com o punho, socou a lança que já estava cravada
na barreira invisível. O som de vidro quebrando se espalhou pelos arredores,
havia sido perfurado completamente pela lança.
- Quebrou a Crystal Wall... – Kiki
refletiu. – Ele está sem dúvida no nível de um Cavaleiro de Ouro...
- Agora, Cavaleiro, deixe meus
companheiros passarem, como prometido. – Indagou.
- Não irei quebrar minha promessa, que
eles passem... – Kiki consentiu.
Os
cinco outros homens encapuzados sobem as escadas, e ignorando o seu protetor,
avançam, restando apenas os dois guerreiros no campo de batalha.
- Então, lutemos. – Kiki o convidou
para a batalha.
- Não se preocupe com isso... – O
Guerreiro tirou de seu bolso uma carta como as anteriores, essa era ilustrada
com um homem sobre um trono dourado. – Barometz Crest!
Com
a sua exclamação, a carta brilhou em uma forte energia verde, assumindo a forma
de um gigantesco carneiro, que ao invés de cornos, era ornamento com galhos
como os de uma árvore. A figura cobriu o corpo de seu invocador, formando uma
armadura parcialmente marrom, com partes em verde. Seus maiores detalhes eram
seus elmos, que lembravam os chifres de um cordeiro. Suas ombreiras, antebraços
e joelhos lembravam folhas.
- Meu nome é Khan de Barometz, o Arcana
Quarto, o Imperador. – Se apresentou. – E eu serei o seu adversário!
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