A batalha
nas Doze Casas do Santuário continua. Os adversários já atravessaram dois
templos, o de Áries, onde Kiki de Áries enfrentou o Arcana Quarto, Khan, e o de
Touro, onde Harbinger de Touro enfrentou o Arcana Décimo Segundo, Prometheus.
Atualmente restam quatro homens misterioso que sobem as longas escadarias do
zodíaco. O seu próximo destino é a Casa de Gêmeos.
- Este cosmo de agora...? –
Ryuhou questionou na sala do mestre.
- Agora foi Harbinger que lutou... – Kouga respondeu.
- Será que ainda haverá mais
lutas? – Yuna perguntou.
- Acho óbvio que sim... – Disse Souma.
– Mas Shun nos mandou ficarmos aqui até tudo acabar...
- Mas por que os inimigos
atacariam o Santuário neste momento? Há alguma coisa que eles querem aqui? –
Haruto indagou. – Não vejo qualquer outro motivo.
- Eu não me importo com o que
eles querem. – Disse o Cavaleiro de Pégaso. – Tudo o que eu quero é saber onde
Aria está.
O cenário
mudou. Na casa de Áries está Kiki encostado em uma de suas pilastras. Os seus
ferimentos estavam cobertos por bandagens brancas, aparentemente improvisadas.
Estes curativos cobriam praticamente todo o tronco de seu corpo e ambos os
braços. As duas lanças de madeira estavam ao seu lado, ainda coberto com o seu
sangue. De dentro do templo, passos pesados eram ouvidos. Era o próprio
guardião da casa seguinte, Harbinger que estava descendo.
- Não acredito que um Cavaleiro
de Ouro como você conseguiu terminar neste estado. – Harbinger zombou.
- Não me importo em me ferir... –
Kiki levantou-se com um pouco de dificuldade, não conseguia apoiar no chão
usando seus braços. – Enquanto eu ainda puder lutar eu estou bem.
Harbinger
apenas riu.
- Você derrotou todos aqueles
que eu deixei passar? – Kiki o perguntou.
- Apenas um. – Respondeu o
Cavaleiro. – Os outros não queriam ao menos lutar. Não é como se eu me
importasse com este santuário.
Kiki abriu
um sorriso.
- Um Cavaleiro de Ouro que não
se importa com a segurança do Santuário ou de Atena... – Riu. – Isso eu nunca
pensei que iria ver. Mas enquanto você permanecer na casa de Touro acho que
ninguém irá se importar.
- Enquanto esta posição me der
ossos para eu quebrar eu não sairei daqui. – Respondeu.
Os dois se
mantiveram quietos. Apenas olharam para cima, para a terceira casa, a Casa de
Gêmeos. Em suas portas já estavam os quatro homens restantes, e lentamente eles
a adentram. Tudo o que eles veem é uma leve floresta, enfeitada em todo canto
por ornamentos coloridos. Em seu centro, uma pequena e discreta mesa com três
cadeiras, servida de alguns doces, um bule e três xícaras. Sentada em uma de
suas cadeiras está uma mulher trajando uma armadura dourada. Possuía longos
olhos e cabelos azuis. Em sua cabeça, duas máscaras, uma com feições boas e outra
com más, forma sua diadema, uma de cada lado.
- Bem vindos à terceira casa, a
casa de Gêmeos. – Os informou. – Meu nome é Paradox. Paradox de Gêmeos, a
Amazona de Ouro que governa o Amor e o Destino.
Peço que se sentem.
Um dos
quatro se aproximou dela. Retirou seu manto, revelou longos cabelos prateados e
uma pele pálida. Seus olhos sofriam de heterocromia, sua íris direita era
vermelha como sangue, a esquerda era azul como o oceano. Vestia o uniforme
padrão.
- Não há cadeira para todos,
senhorita. – Respondeu. – Não podemos sentar apenas nós dois e você deixar que
meus companheiros passem?
- Eu não deveria deixar. –
Informou Paradox.
- Por favor, senhorita. – Pediu.
– Isso nós deixa com um tempo a sós. – Acrescentou.
Paradox
ficou em silêncio.
- Então isso quer dizer um sim,
senhorita? – O homem questionou. – Espero que não impeça meus companheiros de
passarem. – Sinalizou com a mão para que os outros três homens passassem.
Atravessaram tranquilamente sem a intervenção da Amazona.
- Agora que estamos a sós. –
Disse Paradox. – O que você quer?
O homem
sentou-se na cadeira logo em frente. Serviu um pouco de chá contido no bule em
sua xícara. Do açucareiro tirou dois cubos de açúcar, o misturando na bebida.
- Eu quero que a senhorita
case-se comigo. – Disse, logo em seguida tomando um gole de seu chá.
- O que você pretende com este
pedido? – Paradox já mostrava raiva em seus olhos.
- Como eu disse, apenas casar. –
Respondeu.
- Desculpe-me, mas não aceito. –
Paradox respondeu.
- Algum motivo em especial? –
Questionou.
- Apenas não quero. – Respondeu.
- Pretende viver todo o resto de
sua vida neste Santuário onde há de obedecer regras inúteis? – O homem
perguntou, levantando-se de sua cadeira e andando até as costas da Amazona. –
Não quer se juntar ao exército de Tyche? – Sussurrou em seu ouvido.
- Não seja tolo. – Paradox respondeu,
também levantando-se e tomando distância.
- Vai recusar assim tão
friamente o meu pedido de casamento, senhorita? – O homem novamente tocou no
assunto.
- Exatamente. – Respondeu.
- Sua ignorância a faz parecer
ainda mais bela... – O homem levantou um sorriso.
Neste
momento a raiva da amazona atingia um ápice. Os seus cabelos se tornavam negros,
seu olhos mais agudos, o seu cosmo elevava-se a outro nível.
- Eu posso ser a Amazona que
governa o Amor e o Destino. – Informou, neste momento todo o ambiente ao redor
se torna uma floresta destruída. – Mas também sou aquela que governa o Ódio e a
Morte.
- Continue assim, Senhorita. –
Disse o guerreiro. – Essa sua face ainda é mais bonita que a anterior.
- Vista sua armadura ou não
hesitarei em atacar. – Afirmou Paradox, apontando para aquele homem.
- Como desejar, minha noiva. –
Disse o homem, tirando uma carta de seu bolso. Sua estampa era um de anjo, ao
seu lado estava um homem e uma mulher, uma serpente estava enroscada e uma
árvore ao fundo. – Amphisbaena Crest.
A carta
brilhou com intensa luz negra, assumiu a forma de uma gigantesca serpente de
duas cabeças, ela lentamente enroscou-se no corpo de seu invocador, formando
graciosamente a armadura por onde passava. No final estava completo. Sua
máscara lembrava a face de uma cobra, assim como no seu ombro direito. Do seu lado esquerdo havia duas asas, como as
de um anjo, ausentes no lado direito. E for fim, no seu lado direito, na
cintura havia uma prolongação que lembrava a cauda de um réptil que ao final se
enrolava em sua perna formando uma placa única. A armadura toda era composta em
maioria por duas cores, rosa e azul, cada um predominante de um lado, azul no
lado direito e rosa no lado esquerdo.
- Irei me apresentar, minha
noiva. – Anunciou, criando ainda mais ódio em Paradox. – Meu nome é Aporia de
Anfisbena, o Arcana Sexto, os Amantes. Agora pode atacar.
- Vou te dar a chance de
escapar. – Afirmou Paradox. – Caso contrário a sua escolha será a morte!
Crossroad Mirage!
Ao abrir as mãos,
Paradox libera uma grande quantidade de energia. O cenário muda por completo.
Os dois flutuam num espaço vazio, rodeado por planetas e estrelas.
- Agora você irá escolher entre
o mundo em que você desaparece daqui e poderá continuar com sua vida ou o mundo
em que eu irei lhe matar. – Afirmou Paradox, apontando para o seu adversário.
- Errado. – Aporia retrucou.
- Do que está falando?! – Paradox
questionou.
O guerreiro
também abriu as mãos, duas nebulosas, uma sobre cada mão, apareceram sobre suas
ordens.
- Estas são suas duas únicas
opções, minha noiva. – Disse Aporia, se referindo ao que carregava em mãos. –
Você tem cinquenta por cento de chances de fazer a escolha certa... Koibito no Sentakushi.
As duas
nuvens começam a mostrar cenas. A da direita mostrava uma cena onde, em uma
igreja ocidental, Aporia e Paradox, vestidos com roupas tradicionais de
casamento, saem, já casados, sorridentes e eufóricos. Enquanto a outra mostrava
o cadáver de Paradox, morta recentemente, recebendo constante água da chuva,
sua armadura estava parcialmente destruída. As duas imagens chocaram a Amazona.
- Como você pode ver. – Afirmou.
– Você tem apenas estas duas opções. A opção do pecado que lhe trará felicidade,
ou a opção do tédio que lhe trará a ruína.
- Eu nunca escolherei nenhuma
das duas! – Paradox afirmou.
- Vejamos então... Talvez se eu
lhe contar uma história você aceite minha proposta... – As duas nuvens
desapareceram em fumaça, o adversário se aproxima do corpo estático da amazona.
– Já ouviu falar da lenda de Eva...?
- Eva...?
- A Bíblia conta que Eva foi a
primeira mulher, nascida da costela de Adão. Uma vez ela recebeu uma proposta
de uma serpente... Comer o fruto do qual Deus proibiu a todas as suas criações.
Neste momento ela tinha duas escolhas, continuar sua vida tediosa no paraíso ou
criar o pecado original...
- O que você quer com isso?! –
Paradox questionou.
- O que eu quero dizer... –
Aporia se aproximou do rosto de Paradox. – É que você é esta Eva, a quem tem
que fazer a escolha... – Aproximou sua boca da orelha da amazona. – E eu sou a
serpente... Quem te oferece tal oportunidade... Forbidden Desire...
Ao recitar
estas últimas palavras, uma forte onda de choque foi gerada capaz de dissipar
completamente aquela ilusão, estavam de volta na floresta do interior da casa
de Gêmeos, intocada, novamente em sua primeira variação. Os cabelos de Paradox
retornam ao seu estado original. Estava ali, caída no chão, em choque
psicológico.
- Você não vê, Amazona? – Aporia
se aproxima do corpo. – O destino tende a nos reunir... O Arcana maior de
número seis... Os Amantes... Na astrologia é associado ao signo de Gêmeos. O
destino quer nos ver juntos, minha noiva.
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